EB2 em Foco
← Voltar para newsletter
análiseSegundo CircuitoArmstrong

Análise: o que a declaração Armstrong diz ao Segundo Circuito sobre os 43 mil

Análise do anexo 22.1 do recurso 26-2573 (28/09), não uma ordem nova. O que o PDF afirma, o que a Vargas já rejeitou, e o que segue só como relato do Reddit.

Isto é uma análise, não uma decisão nova. A sentença segue em vigor e nenhum stay foi concedido no Segundo Circuito com base no que lemos.

Documento lido: declaração de John Armstrong, DktEntry 22.1 do recurso 26-2573 (CLINIC v. Rubio, Segundo Circuito), carimbo de 28 de setembro de 2026. Assinada em 11/09. PDF no CourtListener.
Mensagem em uma linha: o Departamento de Estado diz ao tribunal de apelação que não quer os ~43 mil casos julgados de novo antes de terminar o pacote novo de public charge. Isso não é, por si, um stay concedido.


Para quem está aflito: a sentença de agosto continua em vigor. A Vargas negou o stay em 25/09 (Doc 109). Protocolar declaração no Segundo Circuito não congela entrevista, exame nem emissão. Nada muda no consulado até uma corte conceder a suspensão.

Na ponta (30/09): um e-mail real do Rio marca nova entrevista, exame médico novo e pasta de public charge para um caso EB2. É um posto e um processo, não um cronograma nacional. O que a carta pede.


1. O que está no PDF — e o que não está

O carimbo confirma: esta declaração entrou no recurso do Segundo Circuito em 28/09, como anexo da entrada 22.1. O texto apoia uma moção de stay da opinião de 21/08.

Não lemos, neste arquivo, o pedido de stay de emergência, o pedido de administrative stay (congelamento curto enquanto o pedido maior é analisado), o Form C nem uma data de retorno em 16/10. Isso está num relato do Reddit, que usa o mesmo PDF como fonte da declaração. Abaixo, a parte “relato” fica separada da parte que conferimos página a página.


2. O que Armstrong diz, sob juramento

Ele é Principal Deputy Assistant Secretary do Bureau of Consular Affairs.

O cable de 14/01. Mandou os oficiais recusar, sob 221(g), o visto de imigrante de quem não tivesse outro fundamento de inelegibilidade, se a pessoa fosse nacional de um dos 75 países. A justificativa escrita: nacionais desses países teriam buscado benefícios públicos, e o Departamento queria tempo para reforçar a triagem de public charge.

O pacote que ainda não terminou. Desde o cable de 6/11/2025 (“Properly Implementing the INA 212(a)(4) Public Charge Ineligibility”), o DOS diz que revisa políticas de public charge. Agora Armstrong descreve:

  • treinamento global ainda em curso;
  • ferramentas novas de adjudicação;
  • revisão planejada dos formulários médicos DS-2054, DS-3025, DS-3026, DS-3030 e DS-7794, com campos novos para a análise de public charge.

Ele é explícito: esses campos ainda não estão nos formulários. O exame que o posto pede hoje é o formulário vigente, não um formulário futuro. Não refaça exame por conta própria por causa desta declaração.

Os 43 mil. Mais de 43.000 pedidos foram recusados só por essa orientação e, no entendimento dele, caem no vacatur e no remand — não só os autores da ação. Reconsiderar pode exigir: reler o processo, pedir documento vencido, marcar outra entrevista se o oficial achar necessário, e emitir nova decisão. Como a agenda é finita, isso tiraria gente de outros casos.

O dano que eles chamam de irreparável. Se não houver stay, alguns podem receber o visto e ser admitidos como residentes antes do recurso acabar, e parte dessas decisões pode ocorrer antes do treinamento. Sem as ferramentas novas, o oficial usaria os mesmos instrumentos que o Departamento, antes de 14/01, já considerava insuficientes. Aí seria possível que alguém que “seria” barrado no sistema novo receba o visto no sistema atual. Desfazer a admissão exigiria removal, que não devolve o status quo com certeza. Benefícios públicos pagos no meio do caminho, diz ele, também não se recuperam fácil.

Ele cita o próprio cable de janeiro: em mais de 20 nacionalidades cobertas pela pausa, pelo menos 50% dos domicílios imigrantes receberiam alguma assistência pública. Isso é a estatística que o governo usa para justificar a triagem. Não é uma conclusão de que os 43 mil, ou os brasileiros EB2, sejam public charge.


3. Onde a própria Vargas já respondeu

Em 25/09, a juíza negou o stay na primeira instância com esta mesma teoria na mesa. Para ela, processar no regime anterior a janeiro não é dano irreparável; reentrevista e camadas extras de revisão não foram ordenadas pela sentença — são escolha do Executivo; e a hipótese de alguém “passar” no sistema novo é especulação. Famílias separadas há nove meses pesaram do outro lado.

O Segundo Circuito não está obrigado a repetir essa conclusão. Mas o DOJ não chega lá com um argumento que a juíza do caso ainda não tenha rejeitado.


4. O que o Reddit acrescenta — como relato, com fonte

O post descreve uma moção pedindo, ao mesmo tempo, stay pendente de apelação e um administrative stay imediato. Diz também que o Form C (peça que lista as questões da apelação) teria sido protocolado em 29/09, e que o DOJ pediu retorno da moção para 16/10. As seis questões que o relato atribui ao governo:

  1. consular nonreviewability;
  2. se a política de 14/01 foi “final agency action” sob a APA;
  3. se a juíza leu estreito demais o § 1104(a);
  4. discriminação por nacionalidade no INA;
  5. § 1201(g), regulamentos e doutrina Accardi;
  6. se o alívio podia alcançar quem não é parte — os ~43 mil fora dos autores.

Esse sexto ponto, se estiver na moção, é o que pode virar stay parcial (só os não-partes), em vez de congelar a sentença inteira. Não está nestas 7 páginas. O Doc 100, na primeira instância, já pedia essa alternativa. A Vargas negou o total e o parcial.

Até o PDF da moção e do Form C, não tratamos 16/10, administrative stay nem a lista de seis questões como fato do docket.


5. Os dois relógios

Trilha O que dá para cravar O que ainda é relato
Vargas Stay negado (25/09). Partes pediram respostas ao prazo certo para 5/10, 17h (Doc 110). A juíza ainda não fixou a data certa.
Segundo Circuito Declaração Armstrong no recurso 26-2573 em 28/09 (timeline). Stay de emergência, administrative stay, Form C em 29/09, retorno em 16/10.

Se as duas coisas forem verdade ao mesmo tempo, a corrida é esta: a juíza pode apertar um prazo de conclusão enquanto o Segundo Circuito decide se congela a sentença. Hoje, nenhuma das duas decisões saiu.

Calendário da primeira instância, já publicado: Próximos prazos.

Este conteúdo é informativo e não substitui orientação jurídica individual. Consulte advogado de imigração para o seu caso.